O Brasil e o sistema multilateral de comércio

Iniciei minha vida acadêmica no meu primeiro PIBIC, em 2002. Vivia-se, na época, sob o fascínio do lançamento da Rodada Doha, o primeiro ciclo de negociações da Organização Mundial do Comércio. Meu PIBIC tratou do Mecanismo de Exame de Políticas Comerciais (também chamado de Mecanismo de Revisão de Políticas Comerciais), particularmente das perguntas trocadas entre representantes de um grupo de países,

Ao final da graduação, interessei-me pela atuação do Brasil nas negociações da Conferência de Havana. Esse foi o tema da minha monografia de fim de curso e de um artigo publicado no periódico Cena Internacional. Utilizando várias teorias de análise de processo decisório, analisei no artigo a busca por um assento permanente na Organização Internacional do Comércio (ver Farias, Rogério de Souza. Processo decisório e política externa brasileira: o caso da busca do assento permanente na Organização Internacional do Comércio. Cena Internacional, v. 8, n. 2, p. 124-70. 2006 ).

Continuei, no meu mestrado, a me interessar por teorias de análise de processo decisório para compreender a formulaçào da posição brasileira no multilateralismo comercial. Meu foco temporal, contudo, foi para as Rodadas Tóquio (1973-1979) e Uruguai (1986-1994) do GATT. A dissertação foi publicada em 2009 (Farias, Rogério de Souza. O Brasil e o GATT (1973-1993): unidades decisórias e política externa. Curitiba: Juruá, 2009).

Com o material coletado no mestrado, em 2008 publiquei artigo na RBPI (Farias, Rogério de Souza. Transição malograda de um poder emergente? A participação brasileira nas negociações tarifárias da Rodada Tóquio. Revista Brasileira de Política Internacional, v. 51, n. 2, p. 179-96. 2008) e em 2010 no Journal of World Trade (Farias, Rogério de Souza. Sowing the seeds of leadership: Brazil and the agricultural trade negotiations of the Uruguay Round. Journal of World Trade, v. 44, n. 3, p. 661-85. 2010). Redigi, também, um paper sobre a constituição de unidades decisórias que ainda pretendo um dia converter para artigo, após a devida atualização bibliográfica (Farias, Rogério de Souza. Who decides? The constitution of domestic decision units in multilateral trade negotiations. ISA-ABRI Joint International Meeting. Rio de Janeiro, 2009. Disponível em: <http://www.allacademic.com/meta/p381372_index.html;>.)
 
No doutorado, continuei com o foco no tema das negociações comerciais multilaterais, mas agora na área histórica e com o marco temporal de 1946 a 1967 — indo da Conferência Preparatória de Londres até o fim da Rodada Kennedy. A tese foi defendida em 2012 e ganhei  o Concurso de Teses e Dissertações em Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Internacionais em 2013, além de ter ganhado Menção Honrosa no Prêmio CAPES de Teses na área de Ciência Política e Internacional em 2013, tendo sido a melhor da subárea de relações internacionais.

A tese gerou alguns produtosde relevância. Destaco, aqui, um artigo sobre os primeiros anos do Brasil no GATT (Farias, Rogério de Souza. Brazil and the origins of the multilateral trading system. The International History Review. V. 37,Nº 2, 303-323. 2015), outro sobre Eric Wyndham White (Farias, Rogerio De Souza. Mr GATT: Eric Wyndham White and the quest for trade liberalization. World Trade Review. V. 12,Nº 3, 463-485. 2013), 

Três livros resultaram diretamente do meu doutorado. O primeiro é uma coletânea de discursos proferidos por brasileiros no multilateralismo comercial (Farias, Rogério de Souza. A palavra do Brasil no sistema multilateral de comércio (1946-1994). Brasília: Funag, 2013). O segundo é uma versão atualizada da tese (Farias, Rogério de Souza. O Brasil e as origens das negociações comerciais multilaterais (1946-1967). Brasília: Eduepb, 2017), cuja publicação resultou da premiação da ABRI. O último é a biografia do diplomata Edmundo Penna Barbosa da Silva (Farias, Rogério de Souza. Edmundo P. Barbosa da Silva e a construção da diplomacia econômica brasileira. Brasília: Funag, 2017).

Minhas últimas contribuições na área foi um artigo na Meridiano 47 sobre a aprovaçào dos resultados da Rodada Uruguai pelo Congresso brasileiro (Farias, Rogério de Souza. Sob o véu da ignorância: a aprovação dos resultados da Rodada Uruguai do GATT no Congresso brasileiro. Meridiano 47. V. 16,Nº 23-33. 2015) e um capítulo de livro do IPEA sobre a atuação do Brasil na OMC durante o governo Dilma.

Teria interesse em fazer um volume de síntese, com capítulos temáticos (coalizões, agricultura, etc.), sobre o Brasil e o sistema multilateral de comércio, mas falta-me tempo e, sobretudo, vontade. Posso dizer que tendo trabalhado de 2004 a 2012 no mesmo assunto, cansei do tema. 

Estado e sociedade na política externa brasileira.


Uma das surpresas mais interessantes do meu estudo sobre a atuação do sistema multilateral de comércio foi de que a formulação da posição brasileira sempre contou com ampla influência dos mais diversos setores do governo e da sociedade, mesmo durante o regime militar. A forma como se dava essa participação, contudo, era distinta de acordo com o tema, o estágio negociador e a estrutura normativa doméstica. Já no mestrado, criei um modelo rudimentar para explicar essa variação, utilizando a ação brasileira nas rodadas Tóquio e Uruguai do GATT. 
Após concluir o doutorado, iniciei com meu colega Haroldo Ramanzini Júnior uma agenda de pesquisa exatamente nesse tema. Um primeiro foco do nosso trabalho foi diferenciar analíticamente os conceitos de participação e influência no domínio específico da política externa brasileira. Uma segunda questão foi um exame da literatura sobre a insularidade do Itamaraty. A iniciativa rendou vários trabalhos.
Além dessa colaboração, iniciei em 2013 uma série de trabalhos com Géssica Carmo para criar várias bases de dados. Uma delas é a de atores e arenas da política externa brasileira, que buscou na literatura secundária e nos relatórios do Itamaraty uma listagem de todos os eventos considerados pela comunidade epistêmica e pela diplomacia profissional como centrais na política externa brasileira e, depois, com base no Diário Oficial da União e em outros documentos, levantou-se todos os participantes desses eventos. 
A confecção da base de dados está em fase final e será disponibilizada para toda comunidade acadêmica.

Recrutamento e gestão no Ministério das Relações Exteriores

Em decorrência da linha de pesquisa sobre os “Inconformistas Disciplinados” (ver abaixo), iniciei um projeto de longo prazo sobre o recrutamento no Ministério das Relações Exteriores. Isso envolveu, primeiramente, a construção, com a colaboração de Géssica Carmo, de uma base de dados de diplomatas brasileiros. Já concluímos a inserção de todos os que entraram entre 1920 e 2018 no órgão — inclusive os das carreiras de Secretaria de Estado e Consular. 
Paralelamente, iniciei o levantamento de arquivo e da literatura secundária. Do ponto de vista das fontes primárias, consultei desde o Arquivo Distrital de Braga e o da Torre do Tombo, ambos de Portugal, como os do Rio de Janeiro — IHGB, CPDOC, AHI (BSB e Rio), ABL, Arquivo Nacional e Biblioteca Nacional. Durante os anos em que estive na Universidade de Chicago, consegui levantar amplas fontes sobre a constituição e o funcionamento da diplomacia de mais de dez países — da Turquia ao Japão, da Espanha à China.

O primeiro produto desse esforço de pesquisa foi o texto “Filhos da Rua Larga: o processo de recrutamento da diplomacia brasileira (1930-1950)”. Apesar de o foco cronológico ser o final da primeira metade do século XX, utilizei parte da base de dados e das fontes primárias processadas até então para um breve panorama que começou no período luso-brasileiro do Antigo Regime.
O segundo produto foi uma série de artigos que eu e Géssica Carmo publicamos no portal Mundorama. Um dos spin ofs desse esforço foi um capítulo sobre a mulher no serviço exterior brasileiro no livro organizado por Ann Towns.
Por fim, devo citar o trabalho de pesquisa que resultou no artigo publicado no periódico Diplomacia & Statecraft sobre o tema.

Os inconformistas disciplinados: transformação da política externa brasileira

Durante meu doutorado, percebi que havia um grupo bem definido de servidores públicos, políticos e empresários por trás da inserção internacional do país. Havia evidência de que eles não só se viam como um grupo reformista (especialmente os diplomatas) como agiam de forma colaborativa. A partir dessa constatação, 

O mundo social da diplomacia luso-brasileira

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Os meninos do Barão: patronagem e diplomacia do grande Chanceler

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Maurício Nabuco

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Informações ao Presidente da República

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